Fim das aulas da parte da manhã, hora do almoço.
Dirigi-me para o refeitório onde escolhi uma salada e uma cola, paguei tudo e procurei uma mesa, mas a única que eu conseguia ver era muito perto do grupo da Ambre, mas a vista era bonita e eu também não vou comer em pé.
Dirigi-me para a mesa, pousei o tabuleiro, peguei no telemóvel e coloquei os fones no máximo, assim ninguém me incomoda.
Estava descansada a apontar umas coisas no meu caderno negro e a beber a minha cola, quando sinto como que a mesa a vibrar, olho para a frente e deparo-me com o Kentin a olhar para mim, não liguei, continuei na minha, mas quando ele se levantou e se sentou mesmo ao meu lado fechei o caderno à brusca e encarei-o.
-Eu quero pedir desculpa!
-Porquê?
-Pela bola de hoje de manhã.
-Ah! Isso, não tem mal. Afinal a bola nem me acertou.
-Mas podia ter acertado e depois quem sófria as consequências?
-Acho que tu, além disso também ficavas com um olho negro.
Sorri-lhe e ele começou-se a rir. Pronto eu disse que não me queria dar com eles, mas este Kentin parece ser fixe apesar de ainda me arrepiar um pouco.
Ele chegou-se mais para perto de mim e sussurrou-me bem baixo que eu quase não consegui ouvir.
-Eu acho que podias partir o pulso ao dares-me o murro, eu sou resistente.
Quando eu lhe ia responder o Nathaniel, o Lysandre e o Castiel sentaram-se na minha mesa.
Eu olhei logo para o lado, para a mesa da Ambre e o Alexy e o Armim pareciam noutro mundo e a Ambre e as amigas estava com uma cara de meter medo ao próprio medo. Eu estremeci e os rapazes olharam logo para mim.
-Estás bem?
-Eu?! Eu estou ótima, mas ainda bem que eu não tenho colega de quarto se não hoje íamos dormir em sangue.
-O quê?!- disseram os quatro rapazes e ficaram com uma cara, que ai Jesus.
-Que lindo coro.-levantei-me, peguei no meu caderno e fui pousar o meu tabuleiro, mas antes despedi-me dos rapazes- Adeus meninos. Kentin foi um prazer falar contigo e havemos de ver, quem estraga quem, um dia.
Saí de perto deles, ou ia haver mesmo sangue e fui para o jardim, para o lugar onde estive de manhã, mas antes guardei o meu caderno no cacifo e estive os dois tempos restantes de almoço sentada no banco a ouvir música, até tocar a dizer que eu tinha educação física.
Dirigi-me para o ginásio e fui buscar o meu equipamento, um colete preto onde eu no meu coloquei um dragão enrolado, com uma rosa no meio em vermelho bem por cima do coração, vesti um top vermelho e os calções mais pareciam boxers, mas ok, e eram também em preto, ah, e sim nós podemos personalizar o nosso equipamento, mas só o de física, no uniforme não podemos tocar.
Como devo ter sido a primeira a entrar, fui a primeira a sair e vi o Nathaniel, com um rapaz bronzeado, cabelos louros pelos ombros e outro rapaz moreno com rastas, UAU, ele não está no seu grupo.
Fui por trás dele, saltei para as costas dele porque sou mais pequena e tapei-lhe os olhos.
-Adivinha?
-Fácil, Dragon.
Destapei-lhe os olhos, mas continuei nas cavalitas dele, o Nathaniel sempre fora muito forte, na verdade era capaz de estar assim comigo um dia inteiro.
-Claro que é fácil, eu sou a única que me comporto como uma criança e faço isto.-dei-lhe um beijo na bochecha e pousei a minha cabeça no ombro dele- Agora põem-me no chão.
-É que nem que implorasses, foste para aí, agora não sais- os rapazes que estavam com o Nath começaram a rir-se da careta que eu fiz e o Nathaniel lembrou-se que eles estavam lá- Dragon, estes são o Dake e o Dajan.
-É um prazer rapazes. Mas Nath agora LARGA-ME!
Comecei a gritar e a espernear, mas ele não se mexeu nem um bocado.
-Ei Nath, tu tomas o quê pra estares assim tão forte, diz-me que eu também quero.
-Querias dizes bem!
-Muito bem, meninos namorar é fora do meu ginásio.
Viramos-nos para trás e o professor juntamente com o resto da turma estavam a olhar para nós e aí o Nathaniel decidiu largar-me.
-Peço desculpa, professor. Não volta a acontecer.-dissemos os dois ao mesmo tempo.
-A menina vai fazer a aula de luvas?
Eu olhei para as minhas mãos e eu estava com as luvas, mas eu não costumo tirá-las por nada.
-É que eu ando sempre com as luvas.
-A não ser que tenha alguma doença, que se transmita pelas mãos é que pode ficar, com elas. Então a menina têm alguma doença?
-Não senhor.
Baixei a cabeça e coloquei as minhas mãos para a frente e o professor tirou-me as luvas, primeiro a da mão esquerda e depois a da mão direita e toda a gente ficou a olhar para a tatuagem.
-Desde quando é que a menina têm isto?
-Desde que me lembro professor.
-Muito bem, hoje vamos ter aula de basquete, começam os rapazes.
As raparigas sentaram-se nas bancadas. No final do jogo quem ganhou foi a equipa do Nathaniel, composta pelo Lysandre, Castiel, Dake e Dajan.
A seguir foi a vez das raparigas, a minha equipa era composta por mais quatro raparigas que eu não conhecia, uma de cabelos brancos e acho que o seu nome era Rosalya, outra de cabelos roxos que se chamava Violete, uma de cabelos castanhos que se chamava Melody e uma de cabelos laranjas que se chamava Íris.
O jogo correu bem, até que a tal de Camile se jogou em cima de mim e eu bati com a cabeça no chão, mesmo de cara no chão e comecei a sangrar por um corte que tinha feito na testa, o professor parou o jogo e disse-me para sair, mas faltavam apenas cinco minutos para o jogo acabar.
Levantei-me do chão, endireitei-me e passei a mão na testa, estava a sangrar um bom bocado, mas aquela víbora ía mas pagar.
-Eu vou continuar a jogar, não vai ser isto que me vai fazer sair daqui sem antes o jogo ter acabado.
O professor apenas acentiu e saiu de campo. As meninas começaram a jogar e eu começava a ficar cega pela raiva.
-Rosalya passa-me a bola.
Ela olhou para mim e passou, eu ainda não tinha saído do meu lugar perto do meu cesto, quando a bola chegou às minhas mãos, lancei-a com toda a minha força.
Quando dei fé as meninas estavam todas em cima de mim, eu tinha acertado, tínhamos ganho o jogo.
Mas elas não conseguiram nem festejar, o Lysandre pegou em mim ao colo e levou-me até à enfermaria, por ordem do professor.
Estávamos a meio do caminho e eu começo a ver tudo turvo e ouço uma voz, muito fraca a chamar por mim, até que apago.
Eu... Eu... acho que desmaiei!