segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Vergonha!


Quando voltei para o banco, o meu caderno não estava mais no lugar onde o tinha deixado e comecei à procura dele. "Eu não o posso perder, é a única coisa que ainda faz com que eu tenha vontade de viver", entrei em desespero e até deixei cair uma das minhas luvas, sim eu uso juntamente com o uniforme um par de luvas de renda pretas sem os dedos, para que ninguém possa ver a chama do meu dragão. Eu sei que não tem mal ter uma tatuagem, mas primeiro eu não gosto que a veijam e segundo não gosto que me façam perguntas sobre ela.
Quando coloquei a luva, virei-me para os corredores para ir dizer ao diretor que tinha perdido uma coisa, mas quando vou a passar pela mesa daquele grupo magnífico lembro-me que eles talvez saibam algo sobre isso, respiro fundo e arranjo as luvas, então dirijo-me para a ponta da mesa onde estava o Nathaniel.
-Desculpem incomodar, mas por acaso algum de vocês viu um caderno preto com uma fechadura?
-Porquê, é teu?- perguntou a rapariga de cabelos cor de chocolate, que acho que se chamava Anne, com una voz muito sarcástica.
Eu ia-lhe responder quando o meu telemóvel tocou, mas aquele não era o meu toque habitual, mas sim de uma certa pessoa. Peguei no telemóvel que estava no bolso da saia, afasto-me da mesa e cruzo os braços.
-Sim!... Muito bem entendo, mas obrigada mesmo assim.... Sim, eu também tenho muitas saudades tuas, vemo-nos em breve. Um grande beijo e fica bem.
Desliguei a chamada, guardei o telemóvel, respirei fundo e voltei para junto da mesa.
-Então algum de vocês viu o meu caderno?
-Se tivesse-mos, o que é que nos davas em troca?-perguntou o rapaz de cabelos vermelhos, acho que Castiel era o nome dele.
-Depende do que me pedirem e de quem mo der ou disser onde está.
-Dizes-me o teu nome e eu dou-te o teu caderno.- disse o Lysandre, levantando o meu caderno, para que eu o visse.
-Chamam-me Dragon.
-Não, quero saber o verdadeiro nome.
-Essa também eu quero saber, nunca me disseste o teu nome, nem mesmo quando fazes anos e moramos juntos à sete anos.- disse o Nathaniel, com um sorriso nos lábios e com curiosidade no olhar.
Tirei os olhos do Nathaniel e fuquei-me no meu caderno, tentei tirar o caderno ao Lysandre, mas não consegui.
-Eu disse o nome!
-Se é a única maneira ok. Eu chamo-me Angel.
-Angel é?
-Sim, agora dá-me o meu caderno.
Estendi a mão para o Lysandre e ele deu-me o caderno relutante. Saí de perto deles e tencionei nunca mais me aproximar de nenhum deles.
Faltava cerca de dez minutos para tocar, fui ao cacifo buscar os livros para a próxima aula e fui procurar a sala, quando lá cheguei já tinha tocado para entrar, sim eu andei intervalo e tempo morto à procura da sala de aula. Entrei na sala e fui ter com a professora, que por acaso era a minha "mam".
-Muito bem. Aluna nova, pelo que estou a ver!
-Sim.
-Então apresentate à turma.
Eu pensei com muita relutância, se dizia o meu nome ou não, mas como eu já conhecia a Ambre ela ia intervir e dize-lo, então a melhor opção era mesmo dizer o meu nome.
-Eu chamo-me Angel Hunter, tenho 17 anos, mas prefiro que me tratem por Dragon.
-Muito bem, Dragon. Podes-te sentar naquele lugar lá ao fundo atrás do Lysandre.
Dirigi-me para onde a "mam" tinha dito para eu ir, era na última fila bem ao lado da janela.
Passei todo o tempo de aula atenta, pelo menos nas aulas de literatura eu ia estar atenta.
A "mam" estava a perguntar quem tinha dúvidas e eu levantei o dedo, mas cometi um grande erro, em vez de professora disse "mam" e toda a gente ficou a olhar para mim e começou a rir, mas eu consegui desviar.
-Mam I have a question!
-Muito bem e qual é? E desde já peço-te que pelo menos nesta aula o inglês, fique do lado de fora da porta.
-Sim, professora.
-Obrigada Dragon.
Fiquei calada a aula toda, não falei nem só uma vez. Quando tocou para sair eu fugi daquela sala a sete pés. Primeiro dia de aulas e uma vergonha destas, mas onde é que tu tens a cabeça Dragon, onde!

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